sábado, 11 de outubro de 2025


Hoje me entristeço

Ao pensar no tempo que desperdicei 

Sendo o que eu não era,

Deixando que fossem por mim.


Dei meu tempo,

Meus sonhos,

Meus planos,

Meus anos...

A uma vida que não era eu quem escolhia.


Penso que quando eu alcançar

O que, hoje, anseio;

Serei uma mulher vetusta,

E não terei mais a juventude a meu favor.



- Longo silêncio -



Há um tempo passei a dar o "benefício da dúvida" a reencarnação... 

(Pelo fato de ir contra o que me foi ensinado)

E, presentemente, confesso, torço para que em uma hipotética outra vida, eu seja eu, desde o início.


Tantos se escoaram,

Fizeram uma versão feia de mim.

E eu fiz de todos eles, arte.

Poema de lágrimas,

Poema de saudade,

Poema de liberdade...


Volumoso número de gente

Fez da flor disforme;

Fez da flor, sem valor.

Desamor.

- Eu restauro o que restou -


Destarte,

Fiz arte;

Prática ou teórica,

Consciente, controlada e racional.

Entre a beleza e eu, há um flerte

Que ninguém sacrifica.

Apetite que não se detém.

Paixão...


Sobre tudo de desairoso,

Desabrocho e brado em mim:

Ascenção!