domingo, 19 de maio de 2024

 




Ah, moço!
Estou obcecada por você.
Fui uma mulher mimada
Sempre tive quem desejei ter
Confesso, talvez eu esteja oxidada
Pois estou te querendo há tempos
Que ótimo seria se sua alma te contasse
Que estivemos juntos neste momento
 
Pulsando entre os caniços, abri os olhos
Logo vi o breu da madrugada, omisso
Apenas um fomento
Assento
Rebento
Eu, sedenta, no movimento
E você, um deus, com seu instrumento
 
- Ora bolas! –
Nada mais que ilusão
Desatino ou invenção
Não haviam bolas e nem tacos
Eu brincava sozinha;
Fiquei na mão.


 
Querido,
Você é uma bela lembrança
É a dúvida que carrego
Nos dias em que me questiono
Se soube optar pela melhor opção
Ao abandonar você.
Uma confusão sem tamanho
Lembrar com aversão

Que pude eu fazer além de tentar?

Não pude muito por você.
Que ironia esse romance:
Saber que foi bom
E não sentir que foi bom.
O amor consciente que pregávamos
Um ao outro
Foi a própria maldição.
 
Você me dizia que amor era escolha
E não sentimento
Que era decisão amar
Mesmo quando não fosse possível
Pelo coração rabugento
E assim se faria
A aliança inquebrável
 
Todavia, minha realidade de amar
Foi diferente
E você teve que aceitar
Eu não soube amar consciente
Te amei enquanto te desejei
E me pergunto:
Você seria capaz de escolher
Continuar desejando?
Sei que você precisou de tempo
Para esquecer
Talvez isso comprove e responda,
Minhas tardias dúvidas:
Você mentiu que tinha o poder de escolha
E eu fingi que escolhia amar.

Bem sei eu, que tentei lhe oferecer um poema

Que falasse de amor, aliança e paciência.
Entretanto, como uma poetisa
Vivo um dilema
Eu precisava ter sentido alguma dor
Que, ao menos, o fim da nossa beleza houvesse doído
Sinto muito, meu querido
Fortuito, apenas um teorema. 

quarta-feira, 1 de maio de 2024



 

Uma manhã de domingo
Me evoca que tenho tanto
Tenho mais do que me lembrei
Na madrugada anterior
Quando chorei, 
Combalido.