domingo, 19 de maio de 2024


 
Querido,
Você é uma bela lembrança
É a dúvida que carrego
Nos dias em que me questiono
Se soube optar pela melhor opção
Ao abandonar você.
Uma confusão sem tamanho
Lembrar com aversão

Que pude eu fazer além de tentar?

Não pude muito por você.
Que ironia esse romance:
Saber que foi bom
E não sentir que foi bom.
O amor consciente que pregávamos
Um ao outro
Foi a própria maldição.
 
Você me dizia que amor era escolha
E não sentimento
Que era decisão amar
Mesmo quando não fosse possível
Pelo coração rabugento
E assim se faria
A aliança inquebrável
 
Todavia, minha realidade de amar
Foi diferente
E você teve que aceitar
Eu não soube amar consciente
Te amei enquanto te desejei
E me pergunto:
Você seria capaz de escolher
Continuar desejando?
Sei que você precisou de tempo
Para esquecer
Talvez isso comprove e responda,
Minhas tardias dúvidas:
Você mentiu que tinha o poder de escolha
E eu fingi que escolhia amar.

Bem sei eu, que tentei lhe oferecer um poema

Que falasse de amor, aliança e paciência.
Entretanto, como uma poetisa
Vivo um dilema
Eu precisava ter sentido alguma dor
Que, ao menos, o fim da nossa beleza houvesse doído
Sinto muito, meu querido
Fortuito, apenas um teorema. 

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