quarta-feira, 17 de janeiro de 2024


Hoje eu tive um sonho com você.

Nele, você me parecia consumido pela dor.

A tristeza trazia um brilho fosco aos teus olhos.

 

Percebo que, finalmente,

Consegui te olhar sem sentir nada.

Aliás, nada do que já senti por você.

Digo ainda mais,

Nada do que já senti, depois do amor.

Depois que ele acabou.

(Comigo).

 

Atento-me que, ao dizer nada;

Eu diria que, de repulsivo.

Pois eu senti tua dor.

E tive pena.

Parecia padecer do sentimento clandestino.

 

Precisei interceder por você.

Pedi aos céus que te livrasse de tua dor.

E da minha.

Esta, não precisava mais carregar.

Eu a curei.

- Bem, eu não teria tal poder. –

Acordei curada.

 

Continuei a pedir.

Quero te libertar de mim

Já que de si mesmo, só você é capaz.

 

Mas anseio que,

Um dia

Algum dia;

Você amanheça como eu.

Livre de si.

E também me liberte de ti.

 

Eu poderia findar aqui,

Mas me lembrei de algo importante.

Um dia escrevi:

“Há pessoas que são poesias e outras, que nos tiram ela.”

E me enganei ao concluir isso baseando-me em ti.

A poesia ainda existe na mais miserável pessoa.

 

Ela existe depois que ecoa.

 

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