Infância
Perdão, querida criança
Eu realmente desiludi você.
Sempre em meu pensamento
Suas tentativas de me quebrantar
Mas minha mesquinhez e rebeldia foi se tornando um bicho e assolando os teus sonhos
- que eram meus também. -
Eu me deixei surrupiar.
Arrebatei de você a inocência.
As boas intenções.
A fé.
As crenças.
As
opiniões.
Eu te
afoguei nas mágoas que eu aguava.
Usei o teu coração para a mácula.
Desfrutei teu corpo e retalhei tua alma.
Querida, você chegou ao seu limite
E ele, por vezes, minou nos olhos que eu usava.
E, ainda assim, hoje consigo sentir teu sorriso ao ver que enxerguei a eiva.
Você é a apreciação e o voto dos nossos pais,
A polidez que deram, e tudo que
foi originado como pessoa.
Você é quem eu sempre quis proteger, mesmo que de formas erradas.
Era ingênua demais,
criança.
Mas compreendi que não posso deter que cresça e não posso, nunca mais, fazer-te sair de mim, suscitando coisas que te destrói aos poucos.
Você
está machucada e frágil, eu sei; mas também sei que pugna contra mim, essa outra
face de você, que não sabe se cuidar.
E como sabemos, há sempre dois lados.
Mas quero cuidar de ti, que é o melhor.

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