Olá, como está?
- Eu deveria te dizer que estou consumida por minhas
responsabilidades? Ou, talvez, que receio o amanhã e o que virá com ele? Acredito
que não. Mas e o padecimento de resistir ao peso da vida só? E minha consciência?
Onde coloco o abismo que criei entre mim e você? Entre mim e o mundo? Por que
parece que o lado onde estou, encontra-se apenas a mim? Tudo bem, tudo bem. Inacessível.
Mas você compreende a saudade da criança que fui? Sabe como poderia acalma-la?
Ela faz com que me sinta faltosa, apesar de me ter encontrado. Me diz que não
sou como ela é. Como pode isso ser possível, se me lembro o obscuro que nela
havia? Eu via. Vivia.
Como poderia
te responder essa pergunta assim, tão vagamente? Não passei vagamente pela
vida. Minha inteligência nunca esteve vaga, entretanto, o desalumiado fazia parecer que
sim.
Não, não,
não. A mente distorce a realidade se deixarmos.
Não deixaria.
O que faria
com essa covardia que me invade? Sinto medo da fraqueza do pensamento. Mas
estou esvaziando o peso. Estou acendendo as luzes. Encarando o armário da
balbúrdia.
- Respiro
fundo -
Você poderia
me responder porque eu não sinto mais nada? Por que meu coração está frígido?
Por que fechar as janelas, ao fim do dia, é tão prazeroso? Por que me trataram
como um ser humano de ferro? E por que eu finjo que sou de ferro? Você entende,
não é mesmo?! Costas largas aguentam, aguentam, aguentam... É o que dizem. Como
você reagiria se soubesse desse caos que está por trás de um...
- Estou bem e você?

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