domingo, 14 de janeiro de 2024

Cotidiano




Olá, como está?

- Eu deveria te dizer que estou consumida por minhas responsabilidades? Ou, talvez, que receio o amanhã e o que virá com ele? Acredito que não. Mas e o padecimento de resistir ao peso da vida só? E minha consciência? Onde coloco o abismo que criei entre mim e você? Entre mim e o mundo? Por que parece que o lado onde estou, encontra-se apenas a mim? Tudo bem, tudo bem. Inacessível. Mas você compreende a saudade da criança que fui? Sabe como poderia acalma-la? Ela faz com que me sinta faltosa, apesar de me ter encontrado. Me diz que não sou como ela é. Como pode isso ser possível, se me lembro o obscuro que nela havia? Eu via. Vivia.

Como poderia te responder essa pergunta assim, tão vagamente? Não passei vagamente pela vida. Minha inteligência nunca esteve vaga, entretanto, o desalumiado fazia parecer que sim.

Não, não, não. A mente distorce a realidade se deixarmos.

Não deixaria.

O que faria com essa covardia que me invade? Sinto medo da fraqueza do pensamento. Mas estou esvaziando o peso. Estou acendendo as luzes. Encarando o armário da balbúrdia.

 

- Respiro fundo -

 

Você poderia me responder porque eu não sinto mais nada? Por que meu coração está frígido? Por que fechar as janelas, ao fim do dia, é tão prazeroso? Por que me trataram como um ser humano de ferro? E por que eu finjo que sou de ferro? Você entende, não é mesmo?! Costas largas aguentam, aguentam, aguentam... É o que dizem. Como você reagiria se soubesse desse caos que está por trás de um...

 

- Estou bem e você?


 

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