Palavras de Clarice são cirúrgicas
No volante me lembrei
Sempre me ligo a elas
Sem demora, liguei.
Sempre na direção
Um insight acontece
Cansaços longos
Dúvidas
Rotina de vida
Da minha vida
Vago triste e invisível
Sob o fumê do automóvel
Somente um adulto formado
E, talvez, um pouco imaturo
Tema a vida, no escuro
Alguns dias, sei tanto sobre mim:
Quem sou, o que quero
O que deixei e o que espero
Todavia, me questiono hoje:
Que é a vida? Quem são os meus?
Meus melhores envelheceram
Não sou como eles
Quem sou eu?
Pessoas se escolhem
Fazem umas das outras, suas melhores
Estou sempre avulsa
Nem bem-vinda
Nem expulsa
Percebi que me afastava
Temi.
Sempre pude falhar
Que teria alguém para concertar
Envelheceram
Eu cresci
Não é como já foi um dia
Não posso ser como já fui um dia
Quem devo ser a seguir?
Que tristeza me abateu
Não posso dizer que hoje,
Pois já sorri
E doeu
Pessoas não me escolhem
Fazem umas das outras, suas melhores
Me abraçam e não acolhem
Me acostumei
Em contrapartida
Lamentei
Não sendo escolhida
Ou sendo-a da vida
Talvez, com isso ela diga
Gosto de ser sozinha
Isso é só tristeza
Costume, eu até diria
Olheiras
Dores efêmeras
Pessoas não me escolhem
Fazem umas das outras, suas melhores
Me abraçam e não acolhem
Me acostumei
Em contrapartida
Lamentei
Não sendo escolhida
Ou sendo-a da vida
Talvez, com isso ela diga
Gosto de ser sozinha
Isso é só tristeza
Costume, eu até diria
Olheiras
Dores efêmeras
“Eu não sou tão triste assim, é que hoje estou cansada.”

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