Hoje apareci
Mas estou com vontade de ficar sumida
Estou cansada
Magoada
Abatida
Meus sentimentos estão pesados
Causando peso também em meus ombros
Ainda não sei ao certo
Há dias quero entender
Há dias, esperando pelas palavras
Esperando a poesia nascer
Hoje apareci à força
Lutei contra os braços enrolados dos lençóis
Não sabia como começar
Não havia rumo
Nem barco
Para velejar
A imensidão dessa morte
A devastação desse ser
Um ser humano
Que ninguém vê
Estou sumida
Me sinto invisível e inofensiva
Há dias venho morrendo
Definhando com meu próprio veneno
Estou engolindo minhas palavras
Pois sobre quem as penso
Não vê em si, erro
Estou febril
Coração queimando por dentro
Há dias estou de cama
Alguns, morrendo
Em outros, vencendo
E como se eu não sangrasse
Observo você
Vivendo
Estou invisível
Sumi de mim
Me curarei, eu sei
Mas sempre que me curo assim
Também morro
Um pouco
Não cobrarei amparo
Fique me devendo

Nenhum comentário:
Postar um comentário