sexta-feira, 19 de julho de 2024


Parte 2


Já me tocaram
Já me viram
Me ouviram
Me surraram
Esgotaram
Tudo já houve
O que se ouve, em seguida, então?
Silêncio.
É nele que os verbos mudam.
Os verbos que escrevo, sou eu.
 
Num dia, sou futuro,
Desejando cores, amores e o mundo.
Devaneios profundos.
Noutro, sou presente,
Racional, voraz e estridente.
Desvario iminente.
Depois do silêncio, sou passado,
Tudo que já fui se encerra
De que adianta as lembranças?
Enterra.
Já não sou...

Eu era!

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