Carreguei esperas que não eram minhas.
Hoje, não.
O que pareceu ruptura, era propulsão.
Hoje eu me escuto em voz alta,
mesmo quando a sala pede silêncio,
mesmo quando o olhar do outro mede,
mesmo quando eu tremo
diante do que desejo.
Eu tremo —
e ainda assim fico.
Por pertencimento interno.
O eixo sou eu. Eu governo.
Pertencer não é detalhe.
Quando não me sinto intrusa, é fraterno.
E o que machuca, talvez...
Talvez, seja empurrão para a porta que se precisa atravessar.
Mudar de órbita é direção, não confusão.
Há lugares que já não cabem
no corpo que estou construindo.
Há pessoas que viraram memória
antes de virarem saudade.
E há afetos que ficam,
mas não me prendem.
Estou me ligando ao que quero viver, há beleza nisso.
Aprendi a não fingir respeito
onde ele já não mora.
Aprendi a não mendigar presença
onde eu mesma me falto.
E, pela primeira vez,
isso não me endurece.
Me limpa.
Parei de remar só para sobreviver e comecei a perceber para onde o rio me leva. Isso não é fantasia, é construção.
Estou praticando a mim mesma. Protegendo meu eixo.
Já sou ela.
Casa.
Não pelas vozes,
não pelos rostos,
mas pelo silêncio dentro de mim
que não precisou se defender.
Isso é coragem em forma concreta.
Alguns perderam meu respeito e eu não preciso fingir que não.
Minha integridade é brutalmente honesta.
Eu sou essa agora:
a que atravessa.
E se ainda há medo,
eu levo comigo.
Mas já não deixo que ele me leve.
Porque existe um fio,
fino, firme, invisível,
me puxando para frente.
E eu entendi:
Expansão não é ir além -
é voltar, e, enfim, caber em mim.
Padrões são formas antigas de buscar segurança, mas o que é visto, pode ser transformado.
Eu me vejo.

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