segunda-feira, 12 de fevereiro de 2024


 

Dizem que é absurdo esquecer um amor
Porém, eu não consinto com isso
O que mais vejo
São amores sendo trocados
Memórias sendo postas de lado
Ouso dizer, diários sendo garatujados
Como inumeráveis tentativas
De deixar um recado
 
Amores são fomentados
É preciso cultiva-los
Como cuidar de um Lírio da paz
Para alguns, incapaz.
Um dia esquecido
Fica moribundo
Abatido
Se lembrado a tempo,
É restaurado
Seca, entretanto
Se não for cuidado.
Exageros, eu bem sei
Não acumulam agrados
Um pouco, tem de ser diário
Exíguo, é ordinário
Digo: Eu avisei!
 
Penso eu, que desilusão
Tem durabilidade
Há um fio que enreda
E pernas de outra pessoa não o cortam
Fragmentos estão no chão
E deixam em fiapos
A roupa nova estará sempre velha
O indivíduo, em frangalhos
 
Nada recupera o desgaste
E nem veda a rachadura
Não será como antes
Há agora uma amargura
Mesmo que se tenha tudo novamente
Ou que nem o tenha perdido
O dinheiro não será suficiente
A saúde, ficará carente
O indivíduo, doente
E ainda não digo do corpóreo
Atento-me ao psíquico
Onde o amor estará dividido
Entre a verdade e o medo
O fracasso e o recomeço
Os filhos e o pai
Aos pais e a memória
Ao casamento e a discórdia
À profissão e a história
Ao juízo e a glória
Antes de se adoentar, por fora
Já havia, lá dentro, uma divisória
 
Por isso eu digo que amor passa
E fracasso, fica.
E apenas uma solução habita:

O perdão.


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